sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Sou o sangue que se derrama e grita entre os poros do tempo e me faz regressar à cristalina vigília da água...
E sou essa terra que tuas mãos lavram
e a pedra que o artista fere para criar arte
mas é no teu corpo que respiro.

Célia Moura 


Arthur Braginsky Painting

quinta-feira, 8 de novembro de 2018




Eu sou a coragem
disseste-me um dia.
Sou parte de ti caso me queiras
e tenho a honra de te apresentar minha irmã liberdade.
Ambas fazemos parte de um mundo raro
um mundo novo
firmámos como um pacto de sangue
sabes o que isso significa?
Por nós muitos verteram e vertem seu sangue.
Não somos palavras torpes nem vãs
para andarilhar de boca em boca
somos pérolas,
não nos dês aos cães!
Somos a assembleia eleita e a palavra final,
a desordem onde se ambiciona paz
e a fome do irmão que já nem vês!
Podes esquecer até quem és
mas não a tua origem.
Poderás dizer-me que nada mais te importa
mas estarei de estandarte bem estendido à tua porta!
Nega-me se ousares!
Mas a ti poeta quem negará
todas as palavras que escreveste
e os cânticos que doaste nesta liberdade
que te foi imposta!

Célia Moura, poesia 2017
Imagem - "pixabay"




segunda-feira, 29 de outubro de 2018

O melhor lifting para a pele de uma mulher é ser amada, e o seu melhor ginásio 
é fazer amor apaixonadamente com o homem que a faz vibrar.

Célia Moura


Calar-me-ei .
Deste sangue.
Que me fere e me ofusca.
Quando da minha boca saírem.
Raízes mortas.

   Célia Moura
   Benoit Courti Photography


domingo, 28 de outubro de 2018

As Mães Nunca Morrem

Não
As Mães nunca morrem!

Mãe é Luz acesa
Na imensa escuridão da noite
É vida primeira
Na nossa vida,
Bandeira de Amor hasteada
Em todos os palcos, prantos e sorrisos
De nós.

Mãe
É pele primeira, é sangue, é cordão umbilical
É grito de dor e alegria maior
Sublimação das esferas
Deusa de todas as quimeras!

Mãe
Poderá ser primeira e derradeira palavra.
É fragata em alto mar
Sobrevivente
A todas as preces.

Ainda que se despedindo
Em seu último fôlego,
Mãe não parte!

As Mães nunca morrem!
Sempre no Inverno, na Primavera, no Verão e no Outono
Elas estarão acolhendo seus filhos pela mão
Plantando flores diversas em seus peitos,
Sussurrando sábios conselhos
Na voz da maresia
Em cada gaivota que passa.

Mãe
É e será sempre teu cais de silêncio
Tuas mãos entrelaçadas na berma da Ternura
Desafiando o Tempo.



Elas ficam do outro lado
Fiando memórias
Tecendo a eternidade
Aguardando-nos.


 






 


 









Poema - Célia Moura – a publicar Terra De Lavra
Imagem – Andy Prokh Photography

Reflexos

Ouço-te amada minha
Nos vestígios da infância
Enquanto sorrindo entrançavas meus longos cabelos
Na clareira onde a mais cristalina das águas
Nos banhava os seios em esplendor.

Ao longe gemiam os amantes
Como se o eco estridente de nossa inocência
Os aliviasse no leito das brandas açucenas
Tudo o resto foram archotes nos meus olhos
E exílios de nós.

Célia Moura, a publicar

Tantos gritos embatem contra as paredes
Da casa habitada de nada,
Ainda que Mozart faça escorrer linho
Dos cabelos frágeis
E desperte o sémen às flores,
Sempre os ardentes gritos matinais
Os mais noctívagos, os sonolentos
A transbordar o cérebro das gentes.

Vou à varanda e sorrio sempre que a vejo.
No meio de um bando de pombos que surge de quando em vez,
Lá vem ela, veloz como o vento
Trespassando-me o olhar
A minha pomba branca.

Absorvo aquele instante, como se fosse meu fôlego de vida
E inspiro todo o silêncio
Os gritos adormeceram de cansaço
A música agora é um céu imenso sem pensamentos
Cérebro em paz, por momentos estancado
Somente o coração se sente.

© Célia Moura Poesia
(Edward Zulawsk Photography)

Sou o sangue que se derrama e grita entre os poros do tempo e me faz regressar à cristalina vigília da água... E sou essa terra que tuas mão...