Escorre-me pelas pernas
este frémito,
é como um séquito
o desejo
que me invade a púbis, as coxas
e o tal infinito clitoriano.
Ah, se soubessem como ele é doce,
audaz, vivo e absoluto de paixão!
Escorrem-me pelas pernas os beijos
que me não dás!
Pelos abundantes seios que acaricio
faço renascerem erectos os mamilos
e por momentos quem me dera ser tu,
mesmo não sendo, beijo-os…
Sabem-me a fêmea e a mar
enquanto tu sempre me soubeste de modo igual.
Escorrem-me memórias desta alma desfeita
enquanto fazíamos amor pelo chão da casa,
pelos becos sempre que nos desejávamos
mais que o próprio desejo.
Não deixei de voar no absoluto meu amor
no tal infinito clitoriano que me invade apaixonadamente
mas escorro silêncio e lágrimas por todos os poros de mim.
© Célia Moura
Foto – “pixabay”

Sem comentários:
Enviar um comentário